Parque Nacional das Emas, Chapadão do Céu-GO, fevereiro de 2026. Foto: Nena Valentim
IMERSÕES


Estar no Cerrado é reconhecer-me como parte do mundo natural, desnudar-me diante da imensidão geográfica e encontrar um lugar nesse horizonte. Minha prática em território nasce dessa fricção entre corpo e campo, entre criação e recolhimento. Realizo imersões em diferentes focos do Cerrado brasileiro desde 2018 como experiência de escuta e comunhão. A cada travessia, a pesquisa artística é reforçada e fundamentada no contato com o orgânico, a terra, o horizonte, o silêncio, o fogo, a decomposição e o rebroto.
Na arte contemporânea, especialmente desde as inflexões da Land Art e das práticas Site-specific, compreendemos o território como condição. Diferentemente de uma monumentalização da paisagem, compreendo a imersão no Cerrado como dimensão ética que exige atenção à delicadeza, ao subterrâneo, ao que resiste na estação seca. O bioma, reconhecido como um dos hotspots mundiais de biodiversidade, impõe uma tensão entre exuberância e ameaça. Trabalhar nesse contexto é assumir que o gesto artístico também é gesto político (ainda que silencioso), pois afirma presença, memória e continuidade. As obras que emergem dessas experiências carregam vestígios do campo: texturas terrosas, partículas cromáticas, camadas que remetem à estratigrafia da terra, estruturas botânicas, rastros dos seres que transitam pelo espaço, dinâmicas invisíveis da seiva.
A imersão, portanto, é método. Ela reorganiza o tempo da produção e desloca o ateliê para o ambiente expandido do bioma. O artista torna-se atravessado por regimes de luz, vento e temperatura; o vivido passa a ser processo. Em um momento histórico em que as discussões sobre meio ambiente, crise climática e sustentabilidade atravessam a produção cultural global, atuar no Cerrado é afirmar uma poética da interdependência. O território é aquilo que nos modifica; e é dessa modificação contínua, em mim e no mundo ao redor, que a obra nasce.
Referências
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GANDARA, Lemuel da Cruz; TESTA, Eliane Cristina. Cerrado interrompido: travessias artísticas, poéticas e cinematográficas. Disponível em: http://www.revista.fatecitaqua.edu.br/index.php/regit/article/view/REGIT22-A4. Acesso em: 21 de fevereiro de 2026.
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